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terça-feira, 20 de julho de 2010



CAPITULO 1

Era uma noite fria e chuvosa nas estradas que seguiam para a capital de São Paulo. E o escuro nas curvas das avenidas sob as montanhas pelas quais passavam, causavam relâmpagos de luzes, ao se cruzar com algum carro, que vinha na direção oposta. Naquele instante, Matheus Toller dirigia seu automóvel, com sua mulher Cláudia Toller, como passageira. De repente, no trajeto, um caminhão aparecia em sua direção com uma forte buzina e fortes faróis de luzes brancas que cegavam os olhos de Matheus, que acabara desviando-se em alto risco, provocando uma queda a um penhasco, enquanto o carro se rebatia nas rochas, até simplesmente parar, todo amassado e ensangüentado, com os dois desmaiados.


Hospital...

Naquele momento, em passos agudos pelos corredores da clínica, passava uma mulher de cabelos castanhos, óculos escuros e salto alto, carregando uma bolsa. Era Fernanda que, pálida, parava diante do empregado mais fiel da família, Clementino, que se mostrava apreensivo.



Fernanda (nervosa): O que aconteceu? Recebi sua ligação de última hora. Fiquei preocupada!

Clementino: Acalma-se madame. Já está tudo sobre controle.

Fernanda: Como está Matheus?

Clementino: O senhor Matheus passa muito bem agora. Está apenas um pouco atordoado e tonto. Não vai perguntar pela sua irmã?

Fernanda: Você sabe como ninguém que não ligo para ela. Mas fale a situação...

Clementino: Bem, a dona Cláudia... (abaixa a cabeça) tem suspeita de estar com amnésia madame.

Fernanda (surpresa): Como?

Clementino: Não sei. Mas, o médico afirmou que foi uma pancada em sua cabeça na hora da queda do carro.

Fernanda: Meu Deus! Então o acidente foi mesmo muito grave.

Clementino: Creio que sim, porém uma sorte estarem vivos.

Fernanda: Preciso ver o Matheus!


Ela passa pelos enfermeiros e médicos muito agitada, até que chegava ao quarto onde Matheus se recuperava. Via aqueles fios que lhe ajudavam a respirar e seu rosto pálido ainda não restaurado. Aproximando-se vagarosamente, Fernanda mostrava-se carinhosa.


Fernanda (sussurrando): Oi meu amor... (aperta sua mão).

Matheus (voz fraca e fina): Fernanda... É você?

Fernanda: Sou eu sim querido...

Matheus: Se eu não sair dessa situação... Eu quero apenas que saiba que te amo. Só agora vi que você é tão importante para mim. Eu não quero mais ficar casado com Cláudia. Chega de escondermos nossa paixão... Eu quero você!

Fernanda (feliz, quase chorando): Meu querido... Você não sabe quanto tempo esperei para ouvir isso. (Encosta sua cabeça sobre a dele, o cariciando).

Matheus: Mas, onde está Cláudia?
Aquelas palavras tão esperançosas para ela finalmente largar de ser a amante do homem que tanto ama a fez levantar-se e silenciar pensativa.

Fernanda (tirando as lágrimas do rosto): Depois a gente fala sobre isso... (sorri) Agora vai descansar.



Saindo do dormitório, Fernanda ficava séria e reflexiva. Sua curiosidade sobre o estado de saúde de sua irmã gêmea lhe fez entrar sutilmente no quarto onde ela estava. Abrindo a porta vagarosamente, Fernanda deparava-se com Cláudia, deitada em uma cama e acordada. Quando estranhava...

Cláudia: Quem é você?


Fernanda espantava-se, mas fechava a porta rapidamente sem dizer uma palavra, quando se se encostava à parede desentendida.



Sala de espera do Hospital...

Clementino (levanta-se da cadeira): E então, ele falou algo com a senhora? Está com os olhos vermelhos...

Fernanda: Nada demais.

Clementino: Não me faça de tonto. Percebo que você tem um caso com Matheus. Como pode fazer isso, logo com o marido da sua irmã gêmea?!

Fernanda (olhar demoníaco): O problema não é seu! A Cláudia é uma miserável que se casou com o homem que eu amo. Disso, ela não tinha direito de fazer comigo!

Clementino: Essa situação ainda poderá lhe trazer vários problemas no futuro Fernanda. Melhor pensar no que está fazendo com sua vida...

Fernanda (ironiza): Ah é? E por quê?

Clementino: Sua irmã, Cláudia, não tem mais suspeitas da doença. Ela tem definitivamente amnésia. Confirmou o médico.

Fernanda (pensativa): Sei... Eu passei pelo quarto dela e ela não me reconheceu, nem tentei falar com ela após perceber isso.

Clementino (preocupado): O que o senhor Matheus vai pensar na hora em que ficar sabendo disso? Ele a ama tanto. Vai se sentir culpado pelo acidente. Trágico isso.

Fernanda (sorri sutilmente): Ele não vai saber...

Clementino: Como madame?

Fernanda (ironiza): Ele não vai saber. Porque, agora, ela simplesmente morreu para a família Toller e sem ninguém saber...


Os dois se entreolham, enquanto o servo empregado espantava-se com as palavras tão fortes que ela falava, como se tivesse planejando em algo contra a própria irmã.

CAPITULO 2


Clementino: Que loucura você está pretendendo fazer?!

Fernanda (ironiza): Talvez, quem sabe matar Cláudia... (ri)

Clementino (espantado): M...Mas porque está pensando isso?!

Fernanda (fica séria): Ora meu caro servo. Você sabe que tenho uma paixão por Matheus e ouvir da boca dele que ele me ama (começa a cair lágrimas), é a única coisa que queria escutar. É isso o que me leva a fazer o que estou fazendo! Eu o amo! (ajoelha-se diante de Clementino e lhe agarra pela roupa).

Clementino (olhar de desprezo): A senhora está louca...

Fernanda (levanta-se agitada): E eu vou precisar de seu auxílio e da ajuda de mais alguém para fazer essa “morte” acontecer... (tira as lágrimas do rosto).

Clementino: Você deseja mesmo fazer isso?

Fernanda (olhar diabólico): Ora e porque não?

Os dois se entreolham... 


Restaurante Bridges...

Era noite e Fernanda sentava-se em uma das mesas do restaurante e bebia um uísque. Minutos mais tarde, chegara a tal pessoa que ela tanto esperava.

Fernanda (tira os óculos): Finalmente.

João Marcos (ironiza): Qual é o plano, senhorita?

Fernanda (sorri): Simples para você. Quero uma certidão de óbito falsa dessa pessoa aqui (entrega o envelope com identidades de Cláudia).

João Marcos (checando os documentos): Ok. Isso não vai demorar muito para estar pronto, mas vai depender do dinheiro... 



Ela entrega um pacote de dólares na mesma hora e João Marcos fica ambicionado pela quantia.

Fernanda: E então? Faz o trabalho bem feito até que dia? (coloca os óculos escuros e sorri). 


Hospital...

Passavam-se dez dias e as coisas ocorriam como o planejado.

Dr. Paulo Neves: Senhora Fernanda. Precisava falar com você... Venha até meu escritório, por favor.

Fernanda: O que houve doutor?

Dr. Paulo Neves: Bem, a senhora sabe que sua irmã, infelizmente tem amnésia e que ela vai precisar de muitos cuidados. Ela está em alta e já vem se estabilizando, mas algumas vezes, reage mal ao ver tanta gente que até então desconhece e fica agitada. Por isso, injetamos um soro, que a fará dormir nas próximas 4 horas. Caso ela fique com algum transtorno, faça-a tomar esse remédio.

Fernanda: Está bem. Mas e o Matheus?

Dr. Paulo Neves: Já o Matheus, terá que ficar ainda sob observação. O acidente foi muito mais grave para ele. Ainda está meio inconsciente. Diria que em algumas semanas talvez ele esteja liberado. Estamos entendidos?

Fernanda (se faz de séria e triste): Claro doutor. Muito obrigada.



Ela dava as costas ao médico, fechava a porta e se deparava com Clementino na sua frente.

Clementino: E então?

Fernanda (joga o remédio de Cláudia no lixo): Tudo ocorreu como o esperado. Você agora só precisa levar Cláudia até o carro, onde aquele João Marcos estará; receber os documentos falsos, sair do automóvel sem a Cláudia, e me avisar.

Clementino: Porque deixar a Cláudia? Que documentos são esses?

Fernanda: Apenas faça e você saberá na hora...

Clementino: Eu não posso fazer isso. Não conseguiria.

Fernanda (ironiza): Tem que conseguir. Ou é isso, ou você sabe o que acontece com sua família.

Clementino (de cabeça baixa): Está bem.


Ela dava as costas o menosprezando.

Fernanda (vira-se para ele): Ah! Mais uma coisa. É bom que não tenha mais NINGUÉM no carro com você e o João Marcos.

Clementino (desconfiado): Como quiser... 


Estrada...

Era dia e a viagem seguia silenciosa enquanto João Marcos parava o carro em um posto, quando outro vigarista entrava no automóvel.

Clementino (espanta-se): Mas o que é isso? Quem é esse cara?!

João Marcos: Calma chefia... Eu não pude trazer os documentos a tempo, então mandei esse meu parceiro lhe entregar.

Clementino: Mas você não combinou nada disso com a Fernanda. Ela afirmou que só estaria eu e você aqui!

João Marcos (bate a mão no volante e se vira): Ô seu velho! Eu já te expliquei o que aconteceu. Você quer que eu desenhe? Vocês não queriam a papelada? Pois ta aí!

Clementino: Está bem. Pode seguir viagem de volta para São Paulo.


Naquela hora, estavam João Marcos, seu parceiro e Clementino no automóvel que voltava a capital. Clementino conferia o que recebera, quando vê a certidão de óbito. Logo mata a charada. Fernanda mataria de alguma forma Cláudia, que estava no porta-malas, e os comparsas que seriam testemunhas de peso contra ela...

AMANHÃ
TERCEIRO CAPITULO 
20H00

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